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Os casos Poze do Rodo e Léo Lins (parte II)

Texto publicado originalmente entre agosto e setembro de 2025, no portal A Terra é Redonda . Na   primeira parte deste ensaio , examinei os argumentos pró-liberdade de expressão, de um lado e de outro do debate sobre os casos Poze do Rodo e Léo Lins. Passo agora à consideração do que dizem os defensores, novamente de um lado e de outro, da censura a tais artistas. Farei um balanço do que vimos até aqui e ofereceremos indicações, úteis para futuros trabalhos que venham nessa mesma linha de pesquisa, sobre o que pode significar, sobretudo para a esquerda, teórica e politicamente, o fenômeno que viemos discutindo, qual seja, esquerda e direita valendo-se dos mesmos argumentos de forma cruzada, digladiando-se sobre episódios que diferem apenas na superfície. Argumentos pró -censura Quanto ao caso Poze do Rodo, aqueles que se posicionam a favor da sua censura valem-se, em geral, de argumentos moral-tradicionalistas, indicando que suas músicas, mais do que problemáticas porque apologétic...

Os casos Poze do Rodo e Léo Lins (Parte 1)

Texto publicado originalmente entre agosto e setembro de 2025, no portal A Terra é Redonda . Foi um dos textos motivadores para a redação do vestibular 2026.1 da FGV. O debate sobre a liberdade de expressão é algo que se arrasta desde, no mínimo, os séculos XVIII e XIX, até os nossos dias – havendo sido posto novamente na “pauta do dia” nos últimos anos, com o fortalecimento, aqui e acolá, de movimentos políticos de extrema direita. Analisando-se atentamente, porém, as múltiplas conformações desse debate ao longo da história das ideias, salta aos olhos como posições antagônicas acerca da “liberdade de expressão” vão sendo continuamente abraçadas por facções, vejamos só, supostamente antagônicas do espectro político, de modo que, por exemplo, a defesa de uma liberdade de expressão mais irrestrita passa a ser feita, no século XXI, sobretudo por conservadores – enquanto os progressistas, com destaque para aqueles de esquerda, aferram-se ao direito e à moral para justificarem uma liberdade...

Euclides, quadriláteros e a decadência teórica da Matemática

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Se olhamos bem, vemos que há muito de inexato, dúbio e contraditório também no seio desta que é tida como a mais exata das ciências, a Matemática. Para que se tenha um exemplo disso, basta se preste atenção à forma como conhecemos, hoje em dia, as figuras geométricas. Isso porque, devido a um processo que entendemos ser de verdadeira decadência teórica da Matemática, acabamos por criar como que um abismo entre o nome e o conceito dessas formas, do que advêm diversas e enormes confusões. Nesse sentido, a despeito disso passar comumente desapercebido, nos estudos de geometria dos ensinos fundamental e médio, entendemos que explorá-lo pode trazer muitos benefícios aos nossos alunos, em contribuindo para o desenvolvimento do seu pensamento crítico, de fundo lógico-dedutivo, e do seu senso estético, aplicados à Matemática - afora isso constitua  per se  uma discussão que efetivamente deveria estar sendo feita nos círculos acadêmicos. Neste artigo, trabalharemos esse distancia...